Notebook x Desktop

Já não é mais novidade que os notebooks estão com preços cada vez mais acessíveis, para alguns especialistas não falta muito para esses equipamentos ficarem equiparados em termos de investimento, porém acredito que notebooks já sejam mais baratos que desktops há um bom tempo. Nesse artigo vou explorar o assunto, mostrando meu ponto de vista e as análises que usei para chegar nessa conclusão. Ficarei aberto para discutir e levar essas ideias adiante por intermédio de meu blog.

Farei análises dos diversos dispositivos e partes encontradas tanto em notebooks quanto em desktops, e por comparações conseguiremos nivelar esses dois tipos de máquinas em relação ao seus recursos, para posteriormente entrar no mérito de avaliar valores financeiros.

UPS (no-break)

Essa é uma vantagem inegável dos notebooks. Pelo fato de possuírem como regra geral uma ou mais baterias, os notebooks possuem um UPS de fazer inveja a qualquer desktop.

É comum encontrar notebooks que tenham autonomia de pelo menos 1,5 horas, algo muito raro em UPSs para desktops.

O fato é que um UPS de boa qualidade com apenas 15 minutos de autonomia de um desktop não custa menos de R$ 180,00. Existe ainda o inconveniente de mais um acessório debaixo da mesa, sem falar que baterias de UPSs são muito grandes, repletas de materiais tóxicos e precisam de um trabalho extremamente minucioso para serem descartadas, o que resulta numa tremenda agressão ao meio ambiente, é claro que tal agressão também existe com relação as baterias de notebooks, contudo em proporção muito menor.

Meio ambiente

No quesito meio ambiente, precisamos analisar no mínimo dois fatores:

  • Material usado nos equipamentos
  • Consumo de energia

Para explanar sobre o material usado na construção de desktops e notebooks seria necessário uma análise muito profunda, e não possuo competência técnica para tal. Contudo, fazendo uso de uma visão simplória, podemos concluir que a agressão provocada ao meio ambiente por um desktop é maior do que a provocada por um notebook. Afinal, a matéria prima usada num desktop é a mesma empregada num notebook, porém no caso de um desktop a quantidade de material é muito maior, dessa forma é evidente que existe maior quantidade de resíduos provenientes da construção das diversas partes de um desktop. É importante lembrar que por ser maior, um desktop também agride mais o meio ambiente quando descartado.

Com relação ao consumo de energia, é possível obter dados com muita precisão usando medidores de corrente e potência. Confesso que por intermédio dessa análise obtive resultados que me deixou muito surpreso, e por essa razão esse quesito merece uma sessão própria, a que segue.

Consumo de energia

Para o notebook fiz o teste com as condições que menos poderiam beneficiar esse tipo de equipamento. Comecei o teste com a bateria totalmente vazia, e durante o boot ele iniciou e sequencia de checagem de discos, nesse momento até o fim da carga o consumo de corrente ficou em torno de 500mA, depois da carga concluída, mesmo com uso intenso de HD o consumo de corrente elétrica não passou de 250mA. Durante todo teste o equipamento permaneceu com wireless e bluetooth ligado.

Ao conectar o desktop e o monitor ao equipamento de medição já tive um espanto, pois ambos somente por estarem conectados (desligados) já consumiam 100mA. Ao ligar ambos o consumo ultrapassou 1A, mas após algum tempo e durante todo teste ele trabalhou consumindo no máximo 0,750A. Acessórios como caixas acústicas, impressoras e outros dispositivos não estavam conectados ao equipamento.

As máquinas testadas são equivalentes em suas configurações, conheceremos um pouco delas mais adiante.

Cada equipamento foi analisado por 4 horas, e os resultados abaixo são médias obtidas neste período:

  • Notebook: 0.122 kWh
  • Desktop: 0.407 kWh

Sem muito pensar podermos observar que desktops consomem muito mais de três vezes energia que notebooks e obviamente essa medida se aplica proporcionalmente ao valor pago para mante-los ligados (me refiro a conta de luz – veremos mais adiante). Notebooks desligados (e conectados na tomada) consomem tanto quanto um carregador de celular convencional, enquanto um desktop desligado consome 1/3 de um notebook ligado.

Além do baixo consumo elétrico, notebooks tem dissipação términa menor, o que reflete diretamente no trabalho gerado por equipamentos de ar-condicionado. Dessa forma, é possível economizar também no ar-condicionado usando notebooks. Pode parecer exagero, mas para escritórios com dezenas de computadores isso faz muita diferença.

Display (monitor)

É notória a opinião de que uma tela grande é extremamente confortável, porém a resolução de um monitor é muito mais importante do que o tamanho.

Podemos encontrar em alguns notebooks resoluções maravilhosas, capazes de reproduzir imagens fantásticas, porém resoluções como 1920×1200 fazem com que equipamentos móveis tenham um custo muito alto. Contudo é possível encontrar ótimas resoluções de vídeo em torno de 1366×768 que não deixam o valor dos notebooks tão salgados.

Da mesma forma, monitores de vídeo para desktops também possuem resoluções magníficas, mas que refletem de forma muito amarga nos valores dos mesmos. O que faz com que tanto notebooks quanto desktops tenham seus valores equiparados por conta da resolução de vídeo.

Teclado

Os teclados compactos dos notebooks é num primeiro momento uma razão muito forte para torcer o nariz, mas será que realmente existe razão para isso? Será que um teclado mais compacto é sinônimo de recursos limitados?

Em notebooks, a disposição das teclas alpha-numéricas tem o mesmo espaçamento de um teclado convencional, a diferença fica por conta da ausência do teclado numérico, que pode ser usado por intermédio das teclas de funções especiais (Fn). O teclado numérico em notebooks não é razoável, pois as teclas não são alinhadas verticalmente e isso é motivo para erros de digitação, mas felizmente isso pode ser corrigido com o uso de um teclado numérico avulso.

Atualmente existem diversos tipos de teclados numéricos com interface USB, que vão dos mais robustos feitos de materiais muito resistentes até mesmo os modelos mais compactos e flexíveis construídos em silicone. Também existem opções de teclados numéricos sem fio, que usam tanto adaptados específicos quanto a tecnologia bluetooth. Ainda existe a possibilidade de usar alguns telefones celulares como um teclado numérico.

Apesar dos inconvenientes, o teclado de um notebook não é motivo apenas de desagrados. Os teclados dessas maquininhas compactas possuem recursos que não são encontrados de forma trivial nos desktops. É possível encontrar teclas especiais para controle de volume do som , recursos multimédia, acesso rápido a páginas da web e etc… Obviamente esses recursos podem ser encontrados em teclados de desktop, porém não são teclados simples e muito menos de baixo custo, enquanto esses recursos são encontrados em quase toda totalidade de notebooks.

Som

Salvo os casos em que usuários de desktops possuem sistemas de som equiparáveis à home theaters, o sistema de som de notebooks é equivalente ao de desktops, com uma vantagem, os notebooks possuem auto falante embutidos.

Obviamente o som proveniente dos alto falantes internos de um notebook não pode ser equiparado com de caixas acústicas de qualidade, mas em um desktop as caixas acústicas são consideradas como acessório, então desktops e notebooks são equivalentes nesse sentido.

Pessoas conservadoras podem questionar quanto a relação sinal x ruído. Pelo que tenho observado – ou melhor, ouvido – a qualidade do som de notebooks de boa qualidade é equivalente ao som de desktops.

Processador

De um modo geral, processadores de notebooks possuem desempenho um pouco inferior em relação aos desktops. A razão dessa discrepância se deve ao fato dos notebooks serem equipamentos focados em baixo consumo de energia e pouca dissipação de calor.

Entretanto é importante levarmos em consideração, que mesmo um processador simplório da atualidade é muito mais do que suficiente para um usuário médio, principalmente se levarmos em consideração que boa parte dos recursos usados pelos usuários no dia-a-dia estão disponíveis por intermédio de aplicações web, que consomem pouquíssimos recursos da máquina local.

Memória

Os barramentos de memória são os mesmos encontrados tanto em desktops quanto notebooks. De fato ainda existe uma pequena diferença de tempo para adesão das tecnologias mais inovadoras em notebooks. Por exemplo, a tecnologia DDR3 chegou aos notebooks alguns meses depois que já estava sendo largamente usada em desktops. Contudo, não há considerações relevantes nesse sentido.

Robustez

Para pessoas com pouca afinidade aos equipamentos eletrônicos, robustez é a maior vantagem dos desktops. Pelos desktops serem equipamentos modulares, partes separadas podem sofrer danos sem que haja perda total do equipamento no caso de um acidente. Por exemplo, se uma pessoa desastrada derramar café sobre o teclado de um desktop o dano não irá além deste periférico, porém se for derramado café sobre o teclado de um notebook, podemos jogar todo conjunto na lata de lixo mais próxima. Por essa razão, desktops certamente são mais adequados para crianças.

Vida útil

Finalmente uma questão que muita gente não leva consideração: Por quanto tempo o computador atenderá minhas necessidades?

Tenho percebido que a evolução dos equipamentos tem feito com que eles se tornem mais duráveis. Lembro-me da geração dos 486 e processadores Pentium MMX, equipamentos dessa época ficavam nas mesas dos escritórios por 2 ou 3 anos, porém até hoje é frequente ver por toda parte os primeiros Pentium III.

Atualmente eu me sinto confortável com o mesmo equipamento por cerca de 3 ou 4 anos, algumas pessoas por mais tempo e como não poderia ser diferente alguns preferem trocar de computador todos os anos. A questão é que não vejo mais pessoas trocando de computador a cada ano como eu presenciei com frequência no final da década de 90 até pelo menos 2003.

Essa é uma das razões pelas quais eu sempre recomendo que usuários adquiram equipamentos com garantia de pelo menos 3 anos. É uma boa maneira de garantir a tranquilidade durante boa parte da vida útil do equipamento.

Resumindo

Vejamos resumidamente alguns prós e contras dos notebooks e desktops:

  • Notebooks
    • Pontos positivos:
      • Mobilidade
      • UPS embutido
      • Baixíssimo consumo de energia
      • Menor agressão ao meio ambiente
      • Menor dissipação de calor
    • Pontos neutros:
      • Display
      • Som
    • Pontos negativos:
      • Ergonomia
  • Desktops
    • Prontos positivos:
      • Desempenho
      • Ergonomia
      • Robustez
    • Pontos neutros:
      • Display
      • Som
    • Pontos negativos:
      • Consumo excessivo de espaço
      • Maior consumo de energia
      • Ausência de mobilidade
      • UPS ausente por padrão
      • Maior dissipação de calor
      • Maior agressão ao meio ambiente

Nesta listagem, podemos perceber que existem mais pontos positivos e relevantes nos notebooks em relação aos desktops.

Custos

Os equipamentos usados no teste de consumo de energia são modernos e com origem de um mesmo fabricante de nome internacional, ambos com configuração extremamente semelhante, com base em processador Intel Core 2 Duo, e as mesmas características de hardware como quantidade de memória, espaço em disco e resolução de vídeo.

Como podemos ver na tabela abaixo, os custos finais de ambos equipamentos são extremamente semelhantes.

Custo do hardware
Equipamento Valor Com acessórios*
Notebook R$ 1.890,00 R$ 1.899,00
Desktop R$ 1.699,00 R$ 1.889,00

* Os acessórios consistem em caixas acústicas e UPS.

Na tabela abaixo temos a relação entre o custo proveniente do consumo de energia elétrica entre as estrelas de nossa discussão. Para tornar os dados mais palpáveis, foi usado o custo horário do equipamento ligado para projetar o custo diário, semanal, mensal e anual.

Custo por consumo de energia elétrica
Equipamento Hora Dia Semana Mês Ano
Notebook R$ 0,03 R$ 0,31 R$ 1,60 R$ 6,99 R$ 84,01
Desktop R$ 0,12 R$ 1,07 R$ 5,37 R$ 23,36 R$ 280,28

Os cálculos da tabela acima levam em conta a utilização dos equipamentos durante 9 horas por dia e somente nos dias úteis. Foi levado em consideração o kilowatt hora com valor de R$ 0.29349 (valor aplicado na região metropolitana de São Paulo no mês de março/2010).

Considerações finais

Certamente muitas pessoas não concordarão com muitos dos meus pontos de vista, provavelmente porque estarão acostumadas com recursos avançados dos desktops, como por exemplo uma poderosa máquina para jogos, múltiplos leitores e gravadores de DVD, ou recursos de multimídia de alta fidelidade, como qualidade de som em 5.1 canais.

Ao agregar os dados da tabela de Custos de hardware com a tabela de Custo por consumo de energia elétrica, concluímos que o custo total de um desktop é maior do que um notebook. E essa diferença de custos se torna cada vez maior a cada dia que os equipamentos permanecem ligados.

Está claro que notebooks tem custo inferior aos desktops.

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