Que tal Linux?

O título/pergunta desse artigo tem sido o foco das minhas últimas semanas*, tanto no trabalho quanto com os amigos. Com a queda dos preços de computadores e a facilidade de pagamento é cada vez mais comum ver aglomerações nas lojas nos setores de informática.

As telas grandes de LCD com interfaces gráficas montadas pelas diversas distribuições Linux deixam os compradores com expressões no mínimo curiosas. As pessoas habituadas com Windows vêem o Linux como algo de outro mundo, afinal a disposição dos itens na tela são diferentes, os screen savers tem um apelo muito mais psicodélico e… Onde foi parar o botão verde (Iniciar)?

Gosto muito de empregar algum tempo nas lojas de departamentos, fico próximo dos computadores com Linux para sentir as impressões das pessoas… Nessas empreitadas já tive o desprazer de presenciar vendedores instruindo compradores em instalar o Windows após levar um computador com Linux. Os argumentos são os mais diversos possíveis: “não há problema de instalar software pirata em casa, a polícia nunca irá à sua casa para verificar”, “você leva esse com Linux e instala o Windows, assim economiza dinheiro”.

Esse artigo é um convite para quem quer saber um pouco mais sobre o universo do software livre e proprietário e como defender de forma racional (sem radicalismos) o Linux como uma opção viável.

Consumo de recursos

Uma instalação do Linux com todos os recursos que um usuário comum pode exigir consome cerca de 8GB de espaço em disco, onde estará disponível além do sistema operacional uma suite de aplicativos de escritório (OpenOffice.org), um ou mais reprodutores de músicas e filmes, editores de fotos e imagens vetoriais (Gimp e Inkscape), comunicador instantâneo compatível com MSN, Google Talk, ICQ e tantos outros (Pidgin), programas para gravar CDs e DVDs, cliente de voz sobre IP (Skype), alguns jogos bem mais excitantes que Campo Minado e Paciência, e obviamente um browser de excelente qualidade para acesso à Internet (Firefox).

O conjunto equivalente de aplicações proprietárias num computador com Windows Vista consumiria não menos de 30 GB de espaço em disco, sem falar que todos esses softwares teriam um custo de cerca de R$ 3.400,00 para usuários domésticos.

No cenário corporativo o mesmo hardware com os mesmos programas proprietários teriam um custo de aproximadamente R$ 4.200,00, pois muitos softwares podem ser usados livremente (ou com custo reduzido) para fins não comerciais, porém nas empresas a situação bem é diferente. É importante também levar em consideração que se o computador precisar acessar um servidor na rede da empresa será necessário adquirir uma licença de acesso com custo médio de R$ 100,00.

Softwares baseados em software livre também consomem menos recursos, por essa razão apresentam um melhor desempenho. Uma máquina com 512 MB de memória RAM é suficiente para executar o Linux com um editor de texto e mais alguns programas abertos simultaneamente com excelente desempenho. No Windows Vista, com 1 GB de memória RAM é possível usar um navegador – e olhe lá – o desempenho é bem frustrante, então são recomendados 2GB.

Com o processador não é diferente. Processadores bem simples são suficientes para rodar Linux, mas rodar Windows Vista com menos de 2 processadores é muito desagradável. A última versão do Windows consome muito tempo de CPU e o alto consumo de tempo do ineficaz processo de gerenciamento de interrupções torna o Windows um sistema inoperável.

Logo chegamos a rápida conclusão que para usar programas semelhantes aos do Linux no Windows será necessário um hardware melhor, então é preciso gastar mais dinheiro…

Garantia

Será que o software proprietário é sinônimo de que ele sempre funcionará?

Certamente não! É muito comum as pessoas terem a sensação de estarem protegidas ou cobertas por algum tipo de garantia quando compram um software. Essa mesma sensação faz as pessoas intuitivamente pensarem que um anti-vírus “pago” tem qualidade superior a um similar com licença livre. Recomendo a essas pessoas que leiam com atenção o termo de licença de uso do software para terem uma infeliz surpresa. Normalmente a licença contem mais clausulas contendo as não obrigações dos fabricantes e as imposições ao usuário do que algo que realmente traga algum valor prático.

Nos meus tempos de suporte técnico e atendimento ao usuário já recorri às empresas de software proprietário diversas vezes, e depois de ser instruído a desinstalar e instalar, apagar chaves do registry e também formatar (isso mesmo, os atendentes da Microsoft já me instruíram a formatar o HD) em algumas situações. Percebi que na prática não faz a menor diferença se um produto tem ou não suporte, pois a melhor solução para os problemas sempre pode ser encontrada pesquisando na Internet.

A garantia de um software proprietário também não é para toda vida! Ainda hoje conheço pessoas que compraram licenças das versões mais antigas do Windows e estão completamente descobertas de garantia de funcionamento ou atualizações de segurança. É muito comum que os fabricantes de software proprietário encerrem o suporte para os produtos, pois é financeiramente impraticável manter suporte técnico para todos os produtos por toda vida.

No software livre esse conceito é completamente diferente, pois como não é necessário comprar uma licença de software é possível sempre ter as últimas versões dos programas sem nenhum custo, dessa forma o usuário sempre poderá ter seu computador munido com os programas mais atuais, com as funcionalidades mais modernas e com as atualizações mais recentes para os problemas que possam ocorrer.

Facilidade

Será que mesmo ainda hoje o Windows é mais “fácil”?

Eu já começo a ter sérias dúvidas… Deixe-me dar um simples exemplo. No linux o empacotamento dos programas é de responsabilidade do distribuidor, dessa forma quando é feito upgrade do sistema todos os programas do seu computador seão atualizados.

No universo do software proprietário isso é bem diferente, pois cada software tem seus próprios métodos de atualização. Ainda que sejam automatizados não estão todos integrados num único processo. Ou seja, é necessário realizar as atualizações do Windows e Office, posteriormente dos programas de editoração gráfica, então do leitor de arquivos PDF, sem esquecer do gravador de CDs e DVDs e por aí a fora…

Numa pesquisa um pouco informal constatei que um computador com softwares proprietários faz download de cerca de 200 MB de atualizações por semana, enquanto um computador com software livre consome cerca de 15% desse volume no mesmo período.

As atualizações nunca foram tão inconvenientes como hoje, pois são muito grandes e consomem muito tempo para serem instaladas. Certamente o leitor já passou pela situação de precisar usar um software urgentemente e ele ficar emitindo avisos de que a nova versão está disponível…

E quando o executivo precisa desligar o notebook para ir apresadamente para uma reunião com um cliente importante e então o Windows avisa que está instalando a atualização 3 de 56? Não é possível desligar de forma forçada o notebook pois existe o risco de corromper o sistema. – “Perder o cliente ou os arquivos do computador?” – se pergunta o executivo.

Compatibilidade

“Mas esse programinha vai abrir os meus documentos?”

Essa é a pergunta que não quer calar para os usuários, e a resposta é sim! É possível editar todo tipo de documento do Microsoft Office com o OpenOffice.org. Obviamente existe algumas ressalvas, mas o usuário comum vai perceber poucas diferenças de funcionalidades entre as duas suites de escritório.

Quanto ao acesso à Internet nem é preciso mencionar nada, afinal o Firefox está bem presente no mundo Windows, é até difícil encontrar alguém que prefira o Internet Explorer ao Firefox. Os clientes de mensagens instantâneas também estão aí com toda força e você não ficará sem conversar com seus amigos.

Conclusão

Antes de instalar Windows em seu computador com Linux ou encorajar que alguém o faça, saiba que:

  • Ele terá desempenho inferior.
  • Sobrará menos espaço no seu HD.
  • Talvez seja necessário fazer um upgrade de hardware.
  • E evidentemente será necessário desembolsar um bom dinheiro!

E você, gostaria de me ajudar a difundir o Linux como uma opção viável ao Windows? Então pergunte aos seus amigos e colegas de trabalho:

-“Que tal Linux?”

Certamente agora você tem condições de sanar dúvidas e rebater críticas não construtivas. Agora você é um evangelizador do software livre!

* Meu foco principal nesse artigo é atingir o usuário final, aquele que vai ao supermercado comprar seu primeiro computador, então não vou cair no preciosismo de mencionar as raízes do software livre e como é bom ter acesso ao código fonte dos programas, pois essas informações não tem nenhum proveito para o usuário comum de computadores.

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